Publicado por: Renata Wirthmann | Junho 25, 2009

lançamento de livro

lançamento

Falar de Psicanálise e Cultura é um modo de apontar para as mais diferentes criações do homem na cultura, como a literatura, religião, política, artes plásticas, dentre outros. Estruturar um livro com esse título é, no mínimo, uma provocação, pois, embora a psicanálise tenha se originado do tratamento das neuroses, um dos produtos da cultura frente ao sofrimento que advém desta mesma cultura, a psicanálise não pode curar o homem da neurose. A neurose é um ônus da cultura e propor sua cura é como propor cura, também, para a arte, política e religião. Seria como curar o homem de sua humanidade, curar o homem da cultura.

Em relação as produções da cultura a psicanálise busca encontrar caminhos para estabelecer um diálogo e é, nesse diálogo que se dá o encontro da psicanálise com a cultura, um encontro manco, pois se configura num encontro-desencontro destes dois universos que se criam mutuamente. É manco a medida em que é o reencontro da psicanálise com aquilo que lhe deu origem, e o encontro da cultura com aquela que lhe vem colocar em questão.

Não há psicanálise sem cultura, mas nem por isso a psicanálise deixará de evidenciar todo o sofrimento que advém da existência da cultura. Por outro lado, se não houvesse tal sofrimento, não haveria também as criações que surgem como modo de remediá-lo, e tal (des)encontro seria, por sua

vez, impossível.

Renata Wirthmann G. Ferreira

Publicado por: Renata Wirthmann | Fevereiro 27, 2009

natureza surrealista

Alguns dizem que o surrealismo foi criado por Breton a partir da influência da leitura da obra freudiana…

A partir de hoje tenho uma nova teoria, acho que o surrealismo é uma invenção de um peixe com juba de leão, patas de cachorro, olhos azuis e pijama de listrinhas…quase um peixe mamífero… Não se trata de computação gráfica, o peixe se fez na natureza, não fomos nos que fizemos… Acreditem em mim ou na imagem abaixo:

http://colunas.epoca.globo.com/files/356/2009/02/blog_peixe1.jpg

Publicado por: Renata Wirthmann | Novembro 22, 2008

psicanálise e arte na clínica com crianças

Nesta última semana participei de uma mesa do VII Colóquio Linguagem e educação: infância e subjetividade na psicanálise. Intitulei minha fala de Psicanálise e Arte na Clínica com Crianças. Confesso que dei esse nome e depois fiquei preocupada se daria conta dele, mas fui em frente.

Resolvi começar falando da clínica psicanalítica com crianças como uma clínica possível. E apontando que tomo a psicanálise como a melhor para se trabalhar com crianças hoje na clínica, mesmo com crianças que não falam. É importante lembrar, também, que o trabalho clínico com crianças envolve também seus cuidadores e, em casos mais extremos, até mesmo a escola.

Levando em consideração que o trabalho com crianças não se restringe à criança, isso significa dizer que a clínica com crianças pode começar ainda no nascimento. Como um exemplo disso, cito uma pesquisa muito interessante chamada “INDICADORES CLÍNICOS DE DESENVOLVIMENTO INFANTIL EM 9 CAPITAIS BRASILEIRAS” (clique aqui). Nessa pesquisa foram criados 31 indicadores de pequenas observações sobre o desenvolvimento da criança até os 18 meses de idade e a sua vinculação com a mãe (cuidadora). Esses dados podem ser verificados em entrevistas com a mãe e observação da relação entre mãe e bebê para constatar a modificação ou não de qualquer um desses indicadores. Meu grande elogio a essa pesquisa é o de abrir a possibilidade de intervenção precoce, ou seja, quanto mais cedo forem percebidos determinados sinais, maior a possibilidade de solucioná-los antes que se desenvolvam como sintomas. Esses indicadores foram feitos a partir da teoria psicanalítica Lacaniana.

Muitas crianças autistas também não falam e algumas têm condições de vir a desenvolver a linguagem, mesmo que, pelo menos a princípio, de ecolalia. A psicanálise tem muito a contribuir no trabalho com essas crianças a medida que compreende que é necessário primeiro existir um outro para a criança para que depois a criança venha a falar. Desse modo antes de querer que a criança nos imite é necessário imitar, se fazer espelho dessa criança para que ela perceba seus próprios movimentos e sons e, posteriormente, compreender os movimentos e sons dos outros, a medida que esse outro começa a existir. Como todo espelho humano nossa imitação da criança não é perfeita e a criança começa a perceber essa diferença. A criança grita num tom e você em outro, ela pula numa altura e você eu outra, logo você vai perceber que o tom e a altura do pulo da criança vão começar a se modificar, sem que você diga a ela: pule e fale mais baixo. Na verdade se você o dissesse seria sem efeitos!

E a arte, onde entra nessa história toda? Neste sentido comecei a pensar na experiência causada em nos por uma obra de arte, uma experiência, segundo Freud, de estranhamento. Esse estranho nos possibilita dizer que a arte provoca um deparar constante frente ao desconhecido, de algo sempre novo que nos possibilita inúmeras experiências como, por exemplo, a experiência do belo ou do horror.

Frente às crianças e ao agir infantil, os adultos têm uma experiência parecida, prova disso está na constante tentativa dos adultos de adultecerem as crianças, fazer com que elas se comportem como adultos, sempre elogiando os comportamentos adultos e reprovando os comportamentos infantis, de tal modo que dizer que alguém é infantil virou xingamento. E os adultos dizem: “Olha que menina educada e linda, parece uma mocinha!” ou “Que menino feio, parece moleque, fica por aí fazendo arte!” Quando será que fazer arte virou coisa ruim?!

Fiz uma experiência aqui em casa. Todos os dias ao deixar minha filha na escola digo para ela, na porta da sala, “Faz bastante bagunça!”, ela responde :”eu não!” e sorri. Um dia os coleguinhas da sala dela escutaram essas minhas recomendações e vieram interrogá-la: “Como assim fazer bagunça? Sua mãe fala isso todos os dias? Minha mãe não fala isso!” Continuando a experiência tanto eu quanto me marido, também psicanalista, resolvemos brincar de falar coisas doidinhas com as crianças, como oferecer aos amiguinhos da Sofia, nossa filha, picolé de lesma, tatu andando de costas, sorvete de lua, churrasco de lagartixa, maçã azul, etc. a reação das crianças foi muito interessante, foi uma reação de euforia e angústia, uma euforia angustiada. A euforia pois elas achavam muito engraçado tudo aquilo, a angústia, promovida pelo recalque, devido ao lugar de onde vinham tais maluquices, vinham da boca de adultos, de pais. Nas visitas seguintes as crianças começaram a se aventurar a falar maluquices e nos provocar com absurdos de linguagem também e de repente percebemos que elas estavam fazendo metáfora e até versos de poesia, veja uns que a Sofia fez:

Bailarina dançou com pernas de vento e corpo de pássaros

 

A peixinha rosa estava nadando, quando a árvore caiu no rio, e os passarinhos voaram na água junto com a peixinha. Eram passarinhos aguáticos.

 

O sol está dentro da noite

 

A chuva estava andando lá no chão. De repente, a chuva caiu dentro do raio

 

Num próximo post colocarei algumas conversas maluquinhas, poesia pura!

As crianças têm a capacidade de produzir arte, de brincar com arte, de experenciar a arte e tenho percebido na clínica e fora dela que essa experiência tem efeitos muito interessantes que permitem a criança desenvolver sem abandonar seu comportamento infantil, sem ter que virar adulto antes da hora.

 

Publicado por: Renata Wirthmann | Outubro 16, 2008

Anunciados os finalistas ao maior prêmio literário do Brasil

Foram anunciados, esta quarta-feira, os dez finalistas da primeira edição do Prêmio São Paulo de Literatura. Até o final de novembro, dois escritores brasileiros, um estreante e outro consagrado, serão escolhidos pelo júri formado por Ivana Arruda Leite, Marcia Elisa Garcia de Grandi, Marcia Tiburi, Paula Fábrio, Evandro Affonso Ferreira, Horácio Costa, Michel Sleiman, Cláudio Daniel, Julio Pimentel Pinto Filho e Marcelino Freire. Cada um dos vencedores ganhará R$ 200 mil, o maior prêmio de literatura do Brasil, superando até o Portugal Telecom.

- Estamos aqui como calouros, anunciando os finalistas de cada uma das duas categorias do prêmio. Para criá-lo, nos inspiramos no Booker Prize. Deveria ser uma iniciativa do setor privado criar um prêmio como este, mas por enquanto é do governo. Quem sabe no futuro? – disse o secretário de estado da cultura de São Paulo, João Sayad, completando que os finalistas são como indicados ao Oscar.

O júri, que a princípio anunciou que nomearia 20 finalistas, dez em cada categoria, optou pelo critério da unanimidade para enxugar este número pela metade.

- É um prêmio com valor muito grande. Optamos pela escolha mais sensata e prudente. Não que os outros inscritos não tivessem qualidade. Mas como a boa literatura se faz enxugando, decidimos pelos nomes mais fortes e o critério da unanimidade prevaleceu – explicou o representante do júri, Marcelino Freire.

Para o curador do Prêmio Jabuti, José Luiz Goldfarb, as coincidências entre finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, do Portugal Telecom e do Jabuti mostram “sintonia na objetividade subjetiva dos jurados”. Três dos cinco finalistas do Prêmio São Paulo para melhor livro do ano foram vencedores do Jabuti de melhor romance, por exemplo.

- É muito legal também perceber como grandes editoras estão apostando em novos talentos e também como o mundo privado e estatal estão privilegiando a literatura – disse Goldfarb.

Sayad, que atualmente está encantado com literatura portuguesa, especialmente com Miguel Torga (“O senhor Ventura”), explicou que a idéia do prêmio é colocar uma tarja nos livros indicados e nos vencedores. Sobre as críticas de que a secretaria está pagando muito e poderia investir os recursos em outras áreas mais carentes, ele rebateu:

- Queria causar escândalo mesmo. E o valor é compatível. Estou investindo também em bibliotecas. O prêmio não é a única coisa que estamos fazendo – concluiu, avisando que o prêmio do governo paulista é aberto a todos os brasileiros.

Veja a lista dos cinco finalistas do Prêmio São Paulo de Melhor Livro Autor Estreante do Ano de 2007 (em ordem alfabética por nome do autor):

- “Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi”, Cecília Giannetti (Agir)

- “Desamores”, Eduardo Baszczyn (7Letras)

- “Chave de casa”, Tatiana Salem Levy (Record)

- “Estado vegetativo”, Tiago Novaes (Callis)

- “Casa entre vértebras”, Wesley Peres (Record)

Veja a lista dos cinco finalistas para o Prêmio São Paulo de Melhor Livro do Ano de 2007 (em ordem alfabética por nome do autor):

- “Antonio”, Beatriz Bracher (Editora 34)

- “O sol se põe em São Paulo”, Bernardo Carvalho (Companhia das Letras)

- “O filho eterno”, Cristóvão Tezza (Record)

- “A muralha de Adriano”, Menalton Braff (Bertrand Brasil)

- “A copista de Kafka”, Wilson Bueno (Planeta)

Publicado por: Renata Wirthmann | Junho 22, 2008

Concreto ou Abstrato

Neste semestre uma das disciplinas que trabalhei no curso de Psicologia foi Psicologia do Desenvolvimento e da Aprendizagem na Infância que me obrigou a retomar aos livros de Piaget e de Vygotsky. Desses dois não é segredo que gosto mais de estudar Vygotsky e falando de sua teoria em sala, lendo seus trabalhos (sempre trabalho mais com os próprios autores e menos com comentadores) surgiu uma discussão em sala muito pertinente ao tema da disciplina: o ensino do concreto e do abstrato, mais especificamente com crianças com deficiência mental.

Essa discussão partiu de uma passagem do livro “A formação Social da Mente” de Vygotsky que dizia o seguinte: “Estudos estabeleceram que as crianças retardadas mentais não são muito capazes de ter pensamento abstrato. Com base nesses estudos, a pedagogia da escola especial tirou a conclusão, aparentemente correta, de que todo o ensino dessas crianças deveria basear-se no uso de métodos concretos do tipo “observar-e-fazer””.

É claro que Vygotsky não concorda com essa posição e quais são os motivos para se opor a esse tipo de educação? O primeiro e mais forte motivo consiste no fato de que uma educação que se baseie apenas no concreto, como ponto de partida e de chegada, apenas reforça um sintoma que já existe. Desse modo, podemos afirmar que um ensino do tipo observar-e fazer reforça a dificuldade que essas crianças já tem de abstrair.

Tendo isso em vista Vygotsky conclui que “O concreto passa a ser visto somente como um ponto de apoio necessário e inevitável para o desenvolvimento do pensamento abstrato – como um meio, e não como um fim em si mesmo”.

Mas nossa discussão não para por aí. Nas observações que temos feito em escolas públicas da cidade temos percebido que a dificuldade de aprender o abstrato não é um sintoma apenas de crianças com deficiência mental, mas que tem afetado uma parcela muito grande de alunos. Um modo simples de observar isso pode ser visto na clínica e nas observações nas salas de aula com a dificuldade encontrada por algumas crianças para fantasiar, brincar de faz-de-conta, inventar histórias etc. Mas se fantasiar, criar, fazer-de-conta, são atividades tão próprias das crianças o que pode estar acontecendo para essas atividades irem se perdendo?

Essa resposta precisa de um trabalho mais longo, mas enquanto não podemos respondê-la podemos, ao menos, remediar a situação. Nesse sentido me parece fundamental em casa, na escola regular ou na escola especial, incluir nas atividades cotidianas algumas que levam à capacidade de abstração e, com crianças, a melhor forma de fazer isso são com atividades de criação e imaginação.

Publicado por: Renata Wirthmann | Maio 24, 2008

O evento Isabela sobre as crianças

Desde que o caso Isabela apareceu na mídia tenho notado diversas reações em pessoas de todas as idades. As crianças fazendo perguntas e projeções, elaborando perguntas como: “O que a menina fez para ficarem tão bravos com ela?” ou brincando de telejornal em que a notícia era dada inúmeras vezes, repetidamente como se estivéssemos mudando de canal e todos falando do mesmo assunto.

A pergunta “O que a menina fez para ficarem tão bravos com ela” evidencia a preocupação das crianças com a possibilidade de que algo assim pudesse acontecer com elas, afinal não raro as crianças fazem suas malcriações e não raro escutam ameaças de seus pais tais como: “vou te bater!”, “que vontade de te esganar!”, “Ah, se eu te pego, você vai ver só!”.

Mas o que faz com que uma criança possa, de fato, acreditar nessas ameaças? Sentir medo dessas ameaças e, conseqüentemente, de seus pais? Ora, essa pergunta nos leva a outra que determina a origem dessas questões: “Qual o limite do poder dos pais sobre seus filhos?”

O caso Isabela veio evidenciar um fato que até agora não foi colocado em questão, dos limites das ações dos pais sobre seus filhos. Como professora do curso de Psicologia e como psicanalista freqüentemente sou questionada sobre a educação das crianças em casa e na escola e as perguntas acabam, inevitavelmente sendo resumidas em: as crianças devem ou não apanhar?

Antes de mais nada é necessário compreender que educar e bater são duas coisas completamente diferentes e que, portanto, não se deve utilizar a educação como desculpa para espancar os filhos!

Bater em crianças é partir do pressuposto que eles não são seres de linguagem e que são, portanto, incapazes de compreender qualquer tipo de comunicação diferente da corpórea. O outro ponto que gostaria de abordar, e o mais importante, é: que direito os pais tem sobre o corpo das crianças que autorize tal ato?

Imaginem a cena de um espancamento da perspectiva da criança, imaginem um adulto três ou quatro vezes maior que você vindo enfurecido na sua direção, com um olhar assustador. Agora imagine que esse adulto não é um adulto qualquer, mas é justamente aquele que cuida de você e que tem a responsabilidade sobre seu bem estar e sua sobrevivência física e mental. ‘Se esse adulto que vem me espancar é aquele no qual eu posso confiar minha vida, qualquer coisa pode acontecer comigo, afinal quem mais pode me proteger?’

É preciso aprender que esse corpo sobre o qual se espanca é um outro corpo, de um outro ser humano. Os filhos não pertencem aos seus pais, tampouco seus corpos. Bater ou espancar é ultrapassar essa barreira do corpo do outro, da existência do outro. É necessário respeitar o corpo do outro, perceber a existência da criança como um outro.

A medida que os pais vão aprendendo a perceber na criança um outro vão percebendo pequenas coisas que evidenciam isso. Por exemplo, uma criança que reclama porque dói quando a mãe lhe penteia o cabelo e a mãe lhe responde: “para de reclamar porque não está doendo!”. Ora, mas se é o cabelo da criança como a mãe pode saber mais do que ela se dói ou não?!

Freqüentemente, quando as crianças ficam doentes os pediatras orientam os pais dos procedimentos a serem feitos e, normalmente, esses procedimentos serão feitos no corpo da criança sem o consentimento desta, sem a menor chance de que ela possa entender o que está acontecendo. Certa vez uma criança de aproximadamente quatro anos estava com o intestino preso há vários dias e o pediatra recomendou o uso de supositório, chegando em casa, sem trocar uma única palavra, os pais pegaram a criança, tiraram sua roupa, deitaram-na na cama e lhe aplicaram o supositório. A criança ficou completamente estática, perplexa, em choque. Depois do evento passou o resto do dia em silêncio, não conversou com o pai nem com a mãe e só se dirigiu a eles mecanicamente, cumprindo a obrigação de dizer boa noite na hora de ir dormir.

Ora, a ação dos pais foi interpretada como uma agressão contra o corpo da criança a medida que a criança não teve elementos para poder elaborar aquele evento, interpretá-lo para poder lidar com ele. É claro que a criança ficaria brava com os pais pelo uso do supositório mesmo que estes a tivessem explicado o que estava acontecendo, mas, pelo menos ela teria elementos para elaborar isso mais tarde. Minha recomendação aos pais foi de que, mesmo depois, explicassem para a criança o que aconteceu e lhe pedissem desculpa pela invasão que fizeram em seu corpo sem o seu consentimento.

Em todas as áreas em que se trabalha com crianças ainda se tem muito que aprender sobre a existência da criança. É necessário permitir que a criança elabore suas demandas, que ela comunique os seus próprios incômodos, que lhe parem de adivinhar depois que elas não são mais bebês, afinal a loucura necessária das mães só é necessária enquanto ainda não há linguagem. E isso deve ser levado para os tratamentos de saúde e para as escolas também. Tenho acompanhado muitos casos de crianças que fazem acompanhamento com psiquiatras que nunca viram pessoalmente a criança, que fazem todas as consultas pautadas nas palavras dos pais, medicam as palavras dos pais e não os sintomas das crianças, não observam as crianças, não tentam comunicar com elas e perceber nelas as suas demandas.

O caso Isabela choca indivíduos de todas as idades, principalmente pelas projeções que são feitas. Quando algo causa tal comoção torna-se necessário repensar seus elementos, perceber suas implicações. Nesse breve artigo repensamos sobre os efeitos desse evento nas crianças.

Publicado por: Renata Wirthmann | Março 26, 2008

O PERCURSO LACANIANO DO DESEJO AO GOZO

Quando se fala de um percurso lacaniano do desejo ao Gozo não se trata de um desaparecimento do primeiro, mas de uma prevalência do segundo. Lacan elabora os conceitos de desejo e de gozo para tentar dar conta do conceito Freudiano de pulsão, entretanto em sua primeira tentativa, com o desejo, ele acaba negligenciando o conceito freudiano e, por isso, continua seu percurso a traz de um modo que seja possível falar de algo que não diz nada, da silenciosa pulsão.

O desejo é estruturante do ser humano. Mas o que é o desejo? Podemos tomar o desejo como sinônimo da falta. O desejo é algo que se coloca para o sujeito sempre como uma condição absoluta e infinita, sempre insatisfeito e inatingível. “É na medida em que a demanda está para além e para aquém de si mesma, que, ao se articular com o significante, ela demanda sempre outra coisa” (Lacan, 1959-1960/1988, p. 353). O desejo se encontra em uma cadeia metonímica que se relaciona sempre com algo para além da demanda.

Para percorrer esse percurso lacaniano do desejo ao gozo partiremos do seminário 4 de Lacan, passaremos pelos seminários 5, 7, 11, 17 até finalmente chegarmos ao seminário 20.

            Até o seminário 5, há a redução da pulsão ao plano simbólico. No Seminário 4 o falo está no lugar da pulsão freudiana, visto que a pulsão se localiza na junção do imaginário com o simbólico. Pode-se dizer que, nesse período, o desejo eclipsa a pulsão e o operador do eclipse é o falo.

Qual relação que Lacan estabelece entre desejo e pulsão? Para falar disso é necessário tratar da trilogia: necessidade, demanda e pulsão. Entende-se por necessidade o elemento bruto da pulsão, que impões à experiência. Demanda, por sua vez, é o que, da pulsão, consegue passar à fala, anulando, convertendo nela o bruto da necessidade. É impossível que toda necessidade se transforme em demanda, a diferença entre as duas (D/N), o resto, é o desejo. O desejo é, portanto, a diferença inevitável, impossível de ser suprimida, que faz sempre existir um significado a mais (pois assim como o significado o desejo fica debaixo da barra S/s). O problema desse trio é que ele não esgota o que há para se dizer sobre a pulsão.

Paralelamente Lacan formulava o conceito de objeto a que vem para traduzir a pulsão Freudiana e toma o lugar de destaque que fora, até então, dado ao falo e ao desejo.

            No seminário 7 Lacan vai desenvolver que a satisfação buscada pela pulsão é a possibilidade de uma constância, sendo que essa busca só existe por que há, no aparelho psíquico, uma força que age no sentido oposto. Dessa forma não há possibilidade de gozo sem interdição, são necessárias essas duas forças contrárias, “uma transgressão é necessária para ascender a esse gozo e é muito precisamente para isso que serve a lei” (Lacan, 1959-1960/1988, p. 217). Essa força contrária ao gozo é o que impede que o homem se enforque na corda do seu próprio desejo, é o que faz com que no lugar da morte advenha uma rotina de satisfação limitada, curta.

            Nesse momento há o que podemos chamar de “gozo da transgressão”, ou seja, um gozo que aparece essencialmente ligado ao excesso. Esse modo de gozo se dá como tentativa de satisfação da pulsão.

            Gozo, na acepção comum da língua refere-se a fruição e está ligado ao verbo usufruir e, consequentemente, se liga a um objeto, pois quem usufrui, usufrui de algo. Está ligado também a uma sensação, pois essa fruição é acompanhada de prazer e satisfação. No seminário 7 o verbo se mantém, trata-se ali de usufruir de um bem. O objeto que se trata de usufruir, entretanto, vai apontando um diferencial em relação ao uso comum, pois não se trata de um objeto de uma necessidade, de algo útil, mas do objeto da pulsão, que, no seminário 7, Lacan nomeia de das Ding.

            Das Ding, a Coisa, é o objeto perdido desde sempre, que se quer reencontrar e que jamais poderá ser encontrado. Daí decorre uma identificação entre das Ding e a tendência de reencontrar esse objeto, algo que Freud coloca como fundamental para a orientação do sujeito, mas que nem por isso é possível de ser dito, pois se trata de um objeto sequer perdido, uma vez que nunca foi possuído. Configura-se assim, no registro da pulsão de morte, uma busca pela satisfação plena que só seria possível no reencontro com o objeto perdido. E, nessa relação do homem com o significante, esse mesmo significante manipulado pelo homem, também o coloca em relação com o objeto que representa a Coisa.

            No Seminário 11 o verbo do gozo passa de usufruir para fazer-se usufruir. A pulsão trata-se, aqui, deste fazer-se: fazer-se bater, fazer-se ver, fazer-se ouvir, etc. A diferença entre o gozo do seminário 7 e do 11 é que no Seminário 11 o sujeito tem acesso ao gozo em relação ao gozo de um outro, deste modo o gozo passa da posse de um bem a estar no lugar de um bem a ser usufruído por outro.

            No seminário 11 o objeto da pulsão não é mais a Coisa, mas o objeto a. Lacan introduz o conceito de objeto pequeno a no nível do objeto parcial, um objeto metonímico que sempre afirma: Não é isso! Esse objeto a foi chamado, por Lacan, de objeto causa do desejo e pode se apresentar como o objeto da sucção, da excreção, ou ainda, o olhar e a voz. Portanto, esses quatro objetos são tomados pelo sujeito como substitutos do Outro e são sobre esses objetos que o sujeito afirma seu saber, que, na verdade, não passa de correlato de objetos a, “correlatos de fala que goza enquanto gozo de fala” (Lacan, 1972-1973/1985, p. 171).

            A partir desse momento acompanhamos, na obra lacaniana, uma desvalorização do significante fálico e, consequentemente, uma valorização o objeto a. O gozo passa a ser tratado pelo viés do objeto a. O excesso de gozo que antes fora tomado como transgressão passa a ser chamado de objeto a, como “mais-de-gozar” (A/G = a , Outro sobre gozo é igual a objeto a).

            No seminário 17 a noção de gozo é similiar com a do seminário 11, entretanto a partir desse seminário Lacan tenta evidenciar o caráter primário do gozo, sendo que o próprio sujeito surgiria da relação do significante com o gozo.

No Seminário 20 Lacan traz uma última reformulação sobre o gozo em que ele conceitua o gozo como uma instância negativa – “O gozo é aquilo que não serve para nada” – mas que temos o direito de usá-lo, abusá-lo – mas não muito – não que isso tenha alguma utilidade, mas temos que usá-lo. Aparentemente, nada parece obrigar o sujeito a gozar, mas o gozo se manifesta, efetivamente, sob a forma de um imperativo, já que todo significante é, de saída, imperativo, superegóico, temos, então, o imperativo do gozo: Goza! (Lacan, 1972-1973/1985, p. 11).

            Num primeiro momento, no seu seminário 20, Lacan fala de um gozo ligado a um desejo, à uma possibilidade de satisfação, esse gozo de que se trata é um gozo sexual, fálico, um gozo que é não-todo, de um ser falante cujas necessidades estão sempre implicadas numa outra satisfação inconsciente, a satisfação da fala, que pode ser ou não ser dita.

            Para além desse modo de gozo, Laca fala de um Outro gozo, um gozo do corpo, do ser, um gozo do Outro. Se no primeiro, há a busca de um gozo sexual, fálico, neste segundo temos um gozo do corpo como tal e não do que se diz sobre o corpo. Trata-se de um corpo assexuado, pois o que faz de um corpo, sexuado, é a linguagem, pela nomeação e significação das partes do corpo. “É claro que o que aparece nos corpos, com essas formas enigmáticas que são os caracteres sexuais – que são apenas secundários – faz o ser sexuado. Sem dúvida. Mas, o ser, é o gozo do corpo como tal, quer dizer, como assexuado (…)” (Lacan, 1972-1973/1985, p. 15).

            O gozo do ser é um gozo fora-da-linguagem, que suporta o corpo como tal e não o corpo mortificado pela linguagem. Do lado desse gozo está o gozo feminino, um gozo que, assim como o gozo do corpo é inacessível, por não corresponder a nenhum desejo e, portanto, não poder ser de forma alguma apreendido ou significantizado.

Publicado por: Renata Wirthmann | Março 9, 2008

A MENINA DE LÁ: ELABORAÇÕES SOBRE O FANTASIAR FREUDIANO

A arte, o brincar, o delírio, o sonho, o sintoma,… a fantasia.

A fantasia tem origem em uma experiência passada do sujeito. A criação da fantasia, no tempo presente, se dá a partir de uma impressão motivadora que tem a possibilidade de despertar um desejo no sujeito. Após esses dois tempos, a fantasia buscará criar, finalmente, uma situação para representar a realização desse desejo. Desta forma “o desejo utiliza uma ocasião do presente para construir, segundo moldes do passado, um quadro do futuro” (Freud, 1908, p. 139).

Lacan, quando retoma o conceito freudiano de fantasia, destaca sua importante função como mecanismo de defesa, sendo que a maior motivação para o surgimento da fantasia são os desejos insatisfeitos. Desse modo Freud afirma que os sintomas “são a realização de uma fantasia inconsciente que serve à realização de um desejo”. Para Freud, a fantasia recalcada está na origem do sintoma e a condição para que uma fantasia reviva e se desenvolva sob a forma de sintoma é que ela passe de consciente para inconsciente, sem a obtenção de qualquer tipo de satisfação sexual ou sublimação.

Na análise, a fantasia possui um papel fundamental e serve “de axioma para interpretar o sintoma” (Ribettes). Ao interpretar o sintoma, o que se busca é uma reconstrução da fantasia, e para tanto “a fantasia é para ser tomada tão literalmente quanto possível” (Lacan, 1967), pois é na fantasia que o sintoma encontra seu material simbólico.

Ao falarmos de fantasia temos, com freqüência, um remetimento a algo que parece ser seu oposto: a realidade. Contudo Lacan diz que “o princípio de realidade é simplesmente um princípio de fantasia coletiva” e coloca, ainda, que “a fantasia é a ‘máscara da realidade’, a realidade é a ‘careta da fantasia’: ela é exatamente ‘comandada pela fantasia enquanto o sujeito só se realiza na sua própria divisão’” (Lacan, 1968).

A fantasia está presente em todas as estruturas psíquicas, sua apresentação e a possibilidade de realização desta é o ponto que marca sua distinção dentro de cada estrutura. No artigo intitulado “Escritores criativos e devaneios”, Freud compara a fantasia ao brincar dizendo que “ali onde a criança joga, o adulto fantasia”.

Guimarães Rosa escreve um conto cuja personagem Nhinhinha é “a menina de lá”, “com seus nem quatro anos, não incomodava ninguém, e não se fazia notada, a não ser pela perfeita calma, imobilidade e silêncios” (Rosa, 1988, p.22). A característica mais marcante de Nhinhinha era que “o que ela queria, que ela falava, súbito acontecia”. (Rosa, 1988, p. 25). Nhinhinha era a menina de lá, e lá era o lugar de seu desejo. Ela não fazia, dos desejos ou necessidades dos outros, realidade; só de seus próprios desejos. E Nhinhinha desejava pamonhinha de goiaba, o arco-íris e até seu próprio caixãozinho cor-de-rosa com enfeites verdes brilhantes. Tudo se tornava realidade, assim como numa fantasia ou num sonho.

Nhinhinha parecia desejar somente seus próprios desejos, mas se via rodeada dos desejos dos outros, aos quais ela respondia: “Deixa… Deixa…”. Certa vez lhe pediram a cura de sua mãe que estava doente e, noutra, chuva quando da seca maior, e para ambos os desejos ela dizia: “Deixa… Deixa…”, e a coisa acontecia transpassada pelo desejo de Nhinhinha: abraçou e beijou sua mãe que sarou num minuto; quis o arco-íris e choveu.

O fantasiar de Nhinhinha e o fantasiar de um artista se encontram no ponto em que ambos só são valorizados quando se aproximam, mesmo que de lado, de um ‘fantasiar coletivo’, desejado e reconhecido pela civilização, pelo Outro. Ou seja, quando “transformam suas fantasias em verdades de um novo tipo, que são valorizadas pelos homens como reflexos preciosos da realidade” (Freud, 1911, p.242).

Quando Nhinhinha dizia “Deixa… Deixa…” ela agia como o artista que sabe “como dar forma a seus devaneios de modo tal que estes perdem aquilo que neles é excessivamente pessoal e que afasta as demais pessoas, possibilitando que os outros compartilhem do prazer obtido nesses devaneios” (Freud, 1917, p. 378). Ao fazer chover não era a chuva que Nhinhinha queria, era o arco-íris, mas para que ela pudesse ter o seu arco-íris, os demais compartilharam a chuva.

A fantasia como axioma possibilita que um sintoma seja interpretado, possibilita a existência da clínica. A forma de lidar com essas fantasias em análise vai depender da relação do sujeito com sua fantasia dentro de cada estrutura. Entretanto é necessário que o analista não coloque a teste de realidade tudo o que o paciente fala, pois, essas elaborações construídas ou recordadas em análise são “às vezes, indiscutivelmente falsas e, às vezes, por igual, certamente corretas, e na maior parte dos casos são situações compostas de verdades e de falsificação” (Freud, 1917, p. 369).

Nesse sentido, segundo Freud, a clínica tem o desafio de “igualar a realidade com a fantasia”, pois “as fantasias possuem realidade psíquica, em contraste com a realidade material, e gradualmente aprendemos a entender que, no mundo das neuroses, a realidade psíquica é a realidade decisiva” (Freud, 1917, p. 370).

Publicado por: Renata Wirthmann | Fevereiro 27, 2008

Publicado por: Renata Wirthmann | Fevereiro 21, 2008

A ESTÉTICA DA MORTE

            Não há pulsão de vida sem pulsão de morte, de tal forma que seria impossível isolá-las e, por isso, podemos afirmar que, se a pulsão de vida e a pulsão de morte são indissociáveis, então, toda busca de prazer é também um caminho rumo à morte, ao prazer absoluto, e que, portanto, todo desejo é um desejo de morte. “A vida só pensa em morrer – morrer, dormir, sonhar talvez” (Lacan, 1954-1955/1985, p. 293).

Entre o sujeito e o desejo radical inominável há uma barreira que impede o sujeito de seguir o caminho da sua própria destruição, essa barreira é o belo. Entretanto não é porque o belo detém o sujeito da destruição que poderíamos afirmar que o belo esteja mais perto do bem, talvez o belo esteja, na verdade, mais próximo do mal.

            Já que a verdade não seria suportável de ser vista, ela se apresenta velada, acobertada pelo belo, que faz isso de tal forma que parece se tornar, ele próprio, a verdade. Fazendo isso o belo passa a exercer no sujeito um desejo de posse. Mas não se trata de admirar ou ter o belo, o sujeito quer possuí-lo, quer que o belo possa ser possuído.

            No filme “Arquitetura da Destruição” assistimos a construção do objeto estético do Nazismo. Hitler foi o arquiteto da destruição e tinha como objetivo salvar a Alemanha e, posteriormente, o mundo do que ele considerava decadência. Para o Nazismo a decadência se apresentava, nas artes, com as obras do modernismo e no mundo humano pelos loucos, deficientes, negros, miscigenados, homossexuais e, principalmente, judeus. O ideal estético de Hitler levou o nazismo a uma perversa aproximação da estética na arte e na Humanidade e, tomando como princípio a necessidade de embelezar o mundo a qualquer custo, este arquiteto da destruição iniciou sua “obra” com a eliminação de tudo o que ele considerava imperfeito.

            Com a instauração do Nazismo foram ditados critérios para se definir o que é arte, assim como critérios para se definir o que é vida, saúde, raça e, finalmente, humanidade. Temos o início dessa obsessão estética numa busca de beleza ambiental: as lojas, as fábricas e os funcionários precisavam estar sempre limpos e organizados. O que fugisse a esse padrão deveria ser descartado.

            Desse modo o Nazismo começou descartando o lixo das fábricas e lojas para produzir um ambiente limpo e funcional, depois do lixo o Nazismo começou a descartar tudo aquilo que fugia do padrão de beleza por eles determinado: crianças que nasciam imperfeitas eram mortas, assim como os deficientes adultos, os loucos, os judeus… tudo que era considerado peste, doença, que atrapalhava o crescimento da Alemanha, precisa ser exterminado! Daí a denominação dos judeus como ratos, como peste, e as propagandas na mídia incentivando o extermínio.

             As deformações estéticas da arte moderna foram comparadas às deformações físicas e mentais de alguns indivíduos e, tanto a arte quanto estes indivíduos, deveriam ser descartados.        O Nazismo acreditava possuir o Belo, possuir a verdade e essa verdade deveria ser imposta para todo o mundo e para isso seria necessária uma grande guerra, uma Segunda Guerra Mundial. Até a Guerra, aos moldes do Nazismo, era uma guerra moderna, mas seus objetivos eram antigos, de tal modo que a vitória não era suficiente, era necessário erradicar o inimigo!

A morte é dissimulada pelo belo, ele dissimula o inabordável desejo de morte levando o sujeito à ilusão de se relacionar com a eternidade. Nas batalhas Hitler enviava um artista plástico juntamente com os soldados para que as lutas e, claro, as vitórias, pudessem ser eternizadas pelos traços clássicos de um artista. Essas obras feitas nos campos de batalha dissimulavam a morte e apresentava a idéia de que o Nazismo estava construindo uma Alemanha, uma Áustria, um mundo, mais bonito, próspero e desenvolvido culturalmente. Para manter essa aparência bela Hitler construía, também, museus, organizava exposições, arquitetava uma nova Berlim de construções gigantescas que perdurariam por toda a eternidade.

Do mesmo modo que a morte é dissimulada pelo belo é também o belo que revela a relação do sujeito com a morte. O desejo se vê aprisionado no belo, por uma miragem, de forma que o sujeito imagina ver seus desejos em objetos específicos, em marcas. “O belo que estava como transição, modo de passagem, faz com que se torne o próprio objetivo a ser buscado” (Lacan, 1960-1961/1992, p.131).

O belo se torna objeto de desejo de tal forma que Lacan (1959-1960/1988, p. 289), comentando Freud, diz que o artista “dá forma bela ao desejo proibido, para que cada um, comprando dele seu pequeno produto de arte, recompense e sanciona sua audácia”.

            Há, portanto, uma relação peculiar entre o desejo e o belo. O belo tem o efeito de suspender, rebaixar, desarmar, intimidar e até proibir o desejo, ao mesmo tempo em que, o desejo pode se manifestar através do belo.

Postagens Antigas »

Categorias